Escolhas

Dividido, busco nas lembranças o galho que me salvará desta enxurrada.

À deriva, o rio logo se bifurcará e não sei qual devo seguir.

Minhas chances estão escasseando a cada novo fracasso.

No centro de meu corpo sinto um precipício, duas estranhas. Gostaria fossem uma.

Sobre uma das estranhas, o naufrágio, sobre a outra, a salvação.

Sobre uma das estranhas, o fracasso, sobre a outra, a virtude.

Em meus olhos, nenhuma brilha diferente da outra. Se há equilíbrio, ei-lo aqui.

Esculpo, em mais um galho de minha jangada, minha virtude.

De pé, acompanho até onde posso o galho no curso do rio que não seguirei.

Reprimo meu desespero. Busco nas boas lembranças o alívio.

Mas meus galhos estão acabando.



Ramon Arzerra, 24 de fevereiro de 2018