O sagrado feminino

A luz, vinda do céu, ilumina a atmosfera. Vê-se, no solo, uma manifestação. Vestida de flores, uma nova mulher nasce, tendo a terra debaixo dos seus pés e um tronco, que sobe até o céu sobre a sua cabeça.

Ela geme. Está na puberdade. As dores do fluxo e o incômodo da cólica a faz ter ânsia.

Há outro sinal no solo. Eis que um córrego vermelho rico, que tinha sangue e tecido uterino, de nitrogênio, de potássio, de fósforo, brota. Seu rastro, parte dela, deixado no subsolo a raiz elevará ao tronco, e lançará-as as folhas.

A mulher repousa diante do organismo lenhoso que havia de florescer, para que, maturados os seus ovários, lhe entregasse alguns frutos.

O tempo dará à luz muitos filhos que hão de crescer em muitas terras e alimento será arrancado até o torso para muitos seres nutrir.

Ramon Arzerra, 2018