Nós

Desperdiçado,

sua duração, calcada no agora, me esmaga,

a todo segundo, o idealizado futuro, embaça,

nos consome, e lá vem mais uma rusga.

Afixado,

dócil à esta maldita rédea, que asfixia,

dá-se à satisfação, triunfo tolo, à ilusão,

o entrelaçamento, onde esta, continua, não se desfaz.

O tempo,

– deixe(o) passar, não fomos feitos para viver juntos, –

dentro deste cerco, implacável, me divido, fico apático,

meu coração é frágil, e há, sempre, nós.


Ramon Arzerra, 12 de agosto de 2019